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Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2007

NOVA VISÃO SOBRE O MUNDO DAS IDEIAS XXI * SURREALHUMANITY

 

   “SER E SABER” : DUAS FACES DO SÉCULO XXI

 

            Este nosso novo ensaio agrupa, de forma articulada e coerente, pelo menos assim o esperamos, um conjunto considerável de temas diversificados e correlacionados, no âmbito da  nossa visão conjunta sobre o Homem, sobre o Mundo e, fundamentalmente, sobre o profundo Mistério da Existência Humana e da Vida, numa perspectiva holista.

 

            No desempenho quotidiano deste nosso nobre compromisso com o CCC, que nos assiste há já ceca de três meses a esta parte, na tentativa tenaz de procurar edificar um novo modelo educacional para o espaço europeu dos tempos vindouros, fomos sendo confrontados, na companhia incansável do nosso Supervisor, com a sempre multifacetada tarefa de "fazer homens" no sentido mais pleno do termo :  o tentar facultar, nos auspícios meandros da nossa Cultura de matriz greco-latina, uma formação humanista integral, na esteira dos ensinamentos mais belos deixados por Jesus Cristo, no nosso entendimento, o verdadeiro paradigma do Homem Total, para todas as épocas e todas as mentalidades.

     

            Pretendemos, por conseguinte,  dar o nosso humilde contributo para acelerar uma longa e séria reflexão que, as escolas, - mormente, as de Ideário cristão - devem, a nosso ver, com alguma urgência, desenvolver a fundo em articulação com as novas linhas orientadoras semeadas pelos campos das mais  recentes concepções anroplógicas e sociológicas.

    O caminho a traçar passa, inevitavelmente, por alguns pontos obrigatórios, que daremos a conhecer à Blogosfera, à medida que formos contactando com as ideias veículadas neste nosso trabalho.

 

O objectivo primordial, não o iremos esconder, consiste em, assumidamente, delinear os itens de diferenciação estruturantes, em relação à chamada nova escola que, actualmente, consegue atrair mais eficazmente os jovens, quiçá, por lhes oferecer uma via, certamente, mais aliciante, face aos padrões impostos pela escolha da sociedade.

 

Basta pensar nas reivindicações e nas manifestações de descontentamento dos alunos, que vemos e ouvimos nos media : melhor condições logísticas ; melhores infraestruturas ;mais baixos níveis de exigência para contornar os já tradicionais numerus clausus, no acesso ao ensino superior ; pleno respeito pelas liberdades individuais, custe ele o que custar ; e aulas de Educação Sexual.

Em poucas palavras, o caminho mais fácil, parece ser, para a maioria dos jovens de hoje, o único ideal de referência : não interessa o conteúdo das matérias leccionadas e, muito menos a sua interdisciplinariedade ; a dimensão teórica dos saberes transmitidos teima em não ser suficientemente valorizada ; a informação disponível, em quantidades exurbitantes, não é filtrada por um espírito crítico que vá além dos indicadores da moda ; as inúmeras solicitações, exógenas à escola, são múltiplas e constantes, dificultando a capacidade normal de concentração e dedicação ao trabalho escolar ; os media e as novas tecnologias, de matizes digitais e consumistas, com as suas campanhas publicitárias, fazem irromper um liberalismo mercantilista que já não enxerga os males que faz proliferar ; a desunião que as famílias vivem, por razões várias, fazem com que, na sua maior parte, não consigam que a educação dos seus filhos chegue a bom porto ; a tremenda falta de referências humanistas e ausência de uma cultura histórica e filosófica elementares, leva-os a pensar que o passado, de pouco ou nada vale ; há um excessivo pragmatismo, que recrimina a beleza do lado meramente contemplativo, e norteia a optimização fria das médias e dos resultados ; e, sobretudo, a desconstrução da Palavra e a liberdade ilimitada das hermenêuticas, fazem com que se instale a máxima da ausência absoluta da Verdade e do tudo é permitido.

 

Tudo se globaliza, hoje em dia, excepto a Verdade. Ou melhor dito, globaliza-se a ausência dela, o que equivale a afirmar, em termos simples, que tudo se relativiza  (  quiçá no seguimento das teorias de Einstein ) e que tudo se pluraliza.

 

Pluralizam-se e toleram-se, cada vez mais,  culturas e vivências completamente novas e contraditórias, desenhadas sob o tecto de uma Nova História, que quase se desvincula das identidades milenares forjadas pelas lutas dos antepassados. Assim, vivem-se mesclas de identidades, género patchworks ou colagens-retalho e, subvertem-se, na maioria das vezes, princípios estruturais base de uma forma, aparentemente, incompreendida.

 

A célebre máxima de Nicolau Maquiavel, por exemplo, bem recordado por Nietschze no seu elitismo amoral ou pseudo-moral, pesa, hoje, nas nossas consciências como nunca. Tentou matar-se Deus, para erguer um Homem Novo, livre e ao mesmo tempo solitário e, descobriu-se, no seu lugar, a angústia mais contundente de sempre : a necessidade de reinventar o falhado Super-Homem, com base na realização de um novo projecto :  o Homem-Máquina Artificialmente Inteligente.

 

O Homem continua a não ser capaz de admitir o erro crasso desta sua tentativa de assassinato frustada, enquanto movimento de libertação das concepções clássicas de culpa e de mal, visto que, se começa a vislumbrar uma espécie de novo Idealismo, no qual projectamos um Homem sem as normais limitações, perfeito e programado para a felicidade optimizada ; um Homem, talvez, geneticamente modificado em função de novos paradigmas e estereótipos ; um Homem, para o qual o erro não exista ; um Homem, que ame verdadeiramente sem hipocrisias e sem esperar nada em troca. No fundo, desejamos criar um novo Homem-Deus, mas gerado à imagem e semelhança, com muitos dos clássicos atributos divinos : estamos a reinventar um Deus Novo, agrilhoado a uma prisão existencial impregnada numa imanência friamente tecnológica e onde o espaço para a liberdade jamais aparecerá.

 

O Deus foi, desde sempre, interior ao Homem ; posteriormente, humanizou-se radicalmente, numa imitação forçada e prevertida da imagem de Jesus, o novo Deus passou a habitar no Homem imanente e terreno ; e, hodiernamente, o Homem Novo começa a projectá-Lo algures num novo ser exterior a si, mas necessariamente concebido por Si. O Eterno desempenha, agora, mais do que nunca, o papel ...

Sonhamos, todos e cada um de nós, por  ver instaurada, de uma vez por todas, a Ditadura do Sujeito, como se se tratasse de um pseudo-regime democrático, hierarquicamente, anárquico : a regra núemro um, é não haver nenhuma outra regra além desta. Ecos das noites de 1933, ano da chegada de Adolf Hitler ao poder ? Ecos do Termidor Estudantilm Maio de 68 ?

 

Queremos um Deus que nos deixe ser tudo o que estiver ao alcance da nossa própria vontade, mas não estamos dispostos a abdicar de nada para o merecer ; cada um de nós procura-O ao seu estilo, individualmente, cada vez mais com menos personalismo ético, e como vamos desumanisando, criamos um deus doméstico que nos preencha as lacunas de um Amor que não se vive realmente e apenas se ilude num niilismo angustiante. Temos de perceber que nos assiste o direito de perceber Deus à nossa maneira, mas, igualmente, temos forçosamente de compreender que temos o dever de O perceber colectivamente, caso contrário, o afastamento radical individualizado irá subverter a vivência do Amor : mesmo que cada um personalize alguns atributos, tem de haver um entendimento quanto ao conjunto de atributos, sob a perspectiva humana, absolutamente incontestáveis - este deverá ser o caminho do ecumenismo e do pluralismo religioso. Note-se que o ser-máquina que tanto se procura, não só apaga a opção da liberdade por cair no previsível, como também inverte a concepção de Pessoa, em inacabado devir. O desejo de aquisição de algumas certezas, funciona também como condicionamento, mais ou menos intenso, das gerações humanas vindouras, não o esqueçamos ; daí a extrema necessidade de alguma imprevisibilidade e incerteza no seio das próprias leis da física, tal como bem o entendeu Heisenberg.  O lado objectivo do Ser jamais poderá ser globalizante - até porque carece de um lado subjectivo -, mas basta-se a si próprio para servir de bússola, em cada era, à orientação das mentalidades, isto numa perspectiva de fácil entendimento.

           

           Não escondamos a realidade ameaçadora que se aproxima a passos largos, uma nova era em que se jogará, muito a sério, o jogo freudiano do Eros-Thanátos, sob as regras da revolucionária trilogia Vida-morte-mente : o Homem irá desejar manipular tecnicamente a Vida,  a seu belo prazer e vá-se lá saber com que finalidade e,  irá fazer o que estiver ao seu alcance, para conseguir o aumento da esperança média de vida de forma considerável, forçando até ao limite da imortalidade. Em simultâneo, irá tentar explorar os domínios mais inimagináveis da mente e da psique, para daí extrair dividendos que, depois, se poderão materializar no mundo real nas mais diversas áreas, com o intuito claro de maximizar o controle da seta termodinâmica do tempo.

 

O computador irá caminhar para máquinas cada vez mais evoluídas e ajudará a desenvolver uma nova estética de contornos eco-tecnológicos : uma nova biofísica, de variante nanotecnológica, tentará erguer pontes entre a natureza, já parcialmente destruída, e as novas tecnologias de ponta inventadas - a máquina funcionará como mecanismo de controlo dos equilíbrios ecológicos rompidos e como necessidade prioritária de reajustamento.

 

A dependência humana da máquina artificial, que cai na ilusão egocêntrica do ela-faz-precisamente-o-que-Eu-quero, crescerá a um ritmo alucinante, para dar resposta concreta às necessidades cada vez mais ímpares dos subjectivismos mais impensáveis e, muito possivelmente, à urgência de fazer de alguma região do espaço interestelar, o nosso novo habitat, perante o colossal esgotamento dos recursos naturais.

 

 Por outro lado, o caminho democrático para optimizar a satisfação individual, passará, em termos políticos, pelo vencer das minorias de minorias, de ainda mais minorias - a caça ao derradeiro e recôndito voto, afinal, à boa maneira de Winston Churchil, a democracia é o melhor de todo o conjunto de maus sistemas que existem. Quiçá alguma super-máquina possa tomar as rédeas do comando governamental dos países ou aglomerado de países e, já agora, porque não, assumir a liderança dos próprios tribunais : seria como uma tentativa humana, desesperada, de erradicar a corrupção e o tráfico de influências das cúpulas de decisão mais poderosas e funcionaria como que um anjo omnipresente, que nos acompanhasse aonde quer que fôssemos, e nos avisasse para a necessidade da escolha mais inteligente e mais sensata, naturalmente, a favor do bem. Em última instância, ela excluiria qualquer eventual erro que pudesse vir a cometer, por algum motivo, mesmo que, para tal, tivesse de hipotecar o custo da minha própria liberdade pessoal. é caso para dizer, volta Aldous Huxley com o teu Admirável Mundo Novo, que estás perdoado...

 

A Política, como a busca humana do melhor dos mundos à la Leibniz, na feliz concordância dos novos adeptos racionalistas, voltará a valorizar a força incomparável da razão humana, sendo-lhe, inclusivamente, possível proceder ao reajuste dos erros graves cometidos, não devidamente aucatelados na altura ; afinal, foi a razão humana, depois de perceber as suas limitações, a corrigi-las, colocando, na máquina, a responsabilidade da sua perfeita execução técnica. Simplesmente, programo parte organizada da realidade, a que designo de ser-máquina, para que essa realidade se adequou totalmente ao meu Eu - a la Descartes - e, assim, graças ao seu poderio, o real coincidiria com a  minha alma gémea : o real é, pois,  o espelho onde vejo reflectida a minha Vontade.  

 

 Computo, logo existo, diria Bill Gates na linha de pensamento cartesiana. Existo, logo computo, afirmaria algum parente de Sarte. Deus é, logo existo e logo computo, argumentaria algum escolástico, seguidor de Santo Anselmo da Cantuária. 

 

E o que diria o Homem mais inteligente de toda a riquíssima História da Humanidade - falamos do psicólogo brasileiro Augusto Cury ?

 

Reflictamos um pouco ...  

Deus mascarar-se-à de ser-máquina nos próximos séculos, é certo, fundamentalmente, para satisfazer a nossa mais pura Vontade e respeitar a nossa liberdade. Por isso, cada um de nós olhá-Lo-à, pessoalmente, com laivos perigosos de narcisismo acentuado, tal qual se tratasse de um espelho em que víssemos ampliadas todas as nossas pretensas qualidades, mas apagados todos os nossos intoleráveis defeitos. O Amor, viver-se-à virtualmente, tal como o Belo, e passará a ter um preço concreto no mercado bolsista ou afim,  caindo, assim, no total miserabilismo espiritual. A alma humana, muito provavelmente, vestir-se-à de software mais ou menos complexo ; o pensamento reduzir-se-à a um conjunto de algoritmos concebidos para  programação, com correlato físico ; a Palavra, esquecerá a semântica e mergulhará numa nova gramática de abreviaturas e subrotinas generalizadas ; e, o Amor, poderá, inclusivamente, vir a ser pervertido numa espécie de ergonomia assente na optimização relacional e afectiva do interface homem-máquina, sem margem para quaisquer dúvidas, o caminho mais fácil encontrado para saciar o radical individualismo em que cada um viverá.

  

 

Neste contexto, impera pensar numa nova forma de estar nesse mundo que se aproxima a passos largos :  um interpersonalismo humanista trans-moderno.

  

Entenda-se por trans-modernismo, a época, cronologicamente, posterior à  pós-moderna onde coabitamos com o ser-máquina, de criação humana, com poder de decisão considerável permitido, conscientemente, pelo Homem.

 

Entenda-se por interpersonalismo humanista, enquanto prolongamento mais ou menos complexo, comparativamente ao tradicional personalismo de Mounier e à profunda Intersubjectividade preconizada por Emanuel Levinas, uma nova "hermenêutica ético e deontológica" urgente  vocacionada para um novo sentido de comunidade, em que os seus membros cooperassem, activamente, na construção partilhada das diferentes pessoas, através de fortes laços humanos que, pelo menos, secundarizassem o deslumbramento visível na perfeição programática do ser-máquina.

Um corpo doutrinal novo que nos ajudasse a encontrar nas próprias limitações do   ser-máquina, ainda que prolongando de forma perfeita algumas falhas humanas, o verdadeiro ridículo deste novo Homem,  para que caísse, pura e simplesmente, no total descrédito.

Neste particular domínio, os SurrealHuamnity, com absoluta sinceridade, sentem-se, para já, em busca do Graal ... Necessitamos de grandes apoios para poder lever de vencida esta nossa louca e quixotesca EurothopiaXXI...

 

     

A olhar à introdução efectuada e delineados os principais alicerces subjacentes à tese central que, aqui, intentamos defender, e que constitui, aliás,  a espinal medula da nossa cosmovisão, creio ser o momento oportuno para a dar a conhecer ...

 

 Desde as mais remotas épocas e as mais longínquas origens, o Homem, extasiado, cabalmente, com o habitat onde lhe coube sobreviver e viver, tendo-o sentido impregnado de magia e de sagrado, tudo fez para o mirar com profundidade,  optimizando, assim, a sua sobrevivência individual e colectiva. Os sentidos -  ou portais da existência humana no encontro do Absoluto -, paulatinamente, o puseram em contacto com um exterior sobrenatural fractalmente imerso em teias embutidas de complexidade, e a única forma que encontrou para desmistificar este marasmo volitivo de correlações, foi o recurso à pura imitação de tudo o que recebera gratuitamente das mãos do Criador.

 

A descoberta de padrões na natureza e a construção do edifício da Lógica não passaram de imitações  mais refinadas de uma nova forma de encarar o mundo, tendo surgido a Filosofia, com a sua revolucionária contribuição : o pensamento e a sua congénere, a Palavra. Mais tarde, a Teologia tomaria a liderança no questionar escatológico da finalidade do Ser, sendo que uma sua parcela, encaminharia o  surgimento da Ciência, como o paradigma universal da busca consistente e legítima da Verdade ; acabou por tornar-se a imitação organizada de mais alto gabarito alguma vez conseguida pelo humano.

 

Os conceitos de História e de Evolução, já na sequência dos pseudo-sucessos das correntes materialistas e empíricas, irromperam fortuitamente de forma messiânica, apontando para as novas dimensões do real, o aqui e o agora ; os triunfos da metafísica tinham os dias contados e, Deus, morrera, aos olhos dos novos tempos. A máquina-relógio, enquanto deslumbramento da criatividade humana, arrastou consigo a ilusão de um tipo de determinismo hedonista, ao bom espírito das Luzes, em que a noção de acaso, também ela recente, se diluiria gradualmente aos longo das eras vindouras ; afinal, acaso é ignorância pura perante o desconhecido, ou um cúmulo de coincidências várias : a Razão Universal, como o colorido bom-senso epocal vivido, encarregar-se-ia de indicar as directrizes a seguir.

 

Marx, com o seu frio retrato redutor do substracto económico como o motor-guia do humano, e, Nietschze, com o seu super-homem novo naturalmente enraízado no mais puro vitalismo, lideraram no descrédito do espiritual e fizeram dele, à imagem do naturalista Darwin, um simples animal a tentar escapar das cordas de uma controlável cadeia alimentar. Deste modo, a própria Razão tão sobrevalorizada, entra, também ela, em decadência : encontraram-se os limites da razão humana, com a queda da escola formalista hilbertiana oferecida por Godel, com os horrores do NASDP de Hitler, com o Projecto Manhattan de Oppenheimer e Einstein, com a destruição clamorosa do ambiente, com o capitalismo selvagem global que espreita em cada esquina das nossas vidas, enfim, culminando num total caos de incertezas e desconfianças quanto aos sistemas ideológicos existentes desde há longa data.

 

Nascia, subtilmente, o pós-modernismo, com o seu novo paradigma da intersubjectividade e da complexidade - tão ao gosto de Ilya Prigogine -, que parece querer quebrar o poder no maior número de partes possível, irradicando a noção de autoridade das páginas dos novos livros que se vão escrevendo, e propor um pluralismo tolerante ao limite ; cada um vive em função da sua própria experiência de vida, não há referentes de ordem superior, tudo é permitido, o que importa é o consumo fast food - ou a nova falácia metafísica-, a procura do novo pelo novo a qualquer preço, seguir como que um personalismo ético que, certamente, muito tem deixado a desejar.

 

Em síntese e, na sequência da trilogia de Fernando Pessoa “Deus quer, o Homem sonha e a obra nasce”, nós afirmaríamos, no seu lugar, que, “Deus cria, o Homem imita-O, no seu estilo, e o resultado visa um aperfeiçoamento da sua noção de sobrevivência”. Em boa verdade se diga, Deus começou por constituir a grande referência do humano, depois o Homem virou-se para si próprio e para o mundo exterior da experiência quotidiana e, ao que parece, começa, agora, a inclinar-se para um novo deus, criado por si próprio, a inteligência artificial : a projecção da inteligência humana num ser superior, que permita ao Homem vencer a insatisfação sentida perante as limitações da sua própria Razão, alvo de tantos e clamorosos elogios.

 

Sem margem para erros de maior, sentimo-nos forçados a reconhecer algum pessimismo antropológico, quando reflicto mais a fundo sobre o homem que se nos apresentou desde sempre : lutas radicais pela sobrevivência, ora física ora espiritual, no âmbito da própria religião e não só, que se têm assumido como verdadeiras catástrofes de índole humana, como podemos diagnosticar nas inúmeras guerras já travadas, no egoísmo triste esculpido na pedra da fome, na atitude descabida com que se desrespeita o direito à vida própria ou de outrém, no inquantificável prejuízo causado à natureza oferecida, na destruição progressiva do planeta e, sobretudo e mais assustador, a morte de Deus - anunciada por Nietzsche -, hodiernamente, já extendida à morte do próprio Homem, pelo menos, na sua mais elevada dignidade.

 

 

Desde que o Homem é Homem, a dúvida assoladora que tanto o tem atormentado, em relação à descoberta segura do caminho para a imortalidade, despertou nele o verdadeiro pecado vivido por Adão : a inveja contundente associada a uma inevitável resignação, face à cada vez maior consciencialização das limitações humanas, num caminho replecto de escolhas chamado Vida, e a presumível resposta encontrada individual, e colectivamente, do egoísmo nu e cruel - um desequilíbrio interior que cega e exige constantes mudanças de um real, contrário à perspectiva leibniziana do melhor dos mundos possíveis.

  

 Para nós, SurrealHumanity, a questão de fundo é perceber, à luz dos ensinamentos do Mestre dos mestres e dos seus mais ilustrados missionários da Companhia de Jesus de Santo Inácio de Loiola, transportadores fiéis da Sua mensagem, à boa maneira escolástica, que o Homem foi colocado num mundo criado do nada, para ser o simples artesão da Vida, pela via do Amor : as acções humanas verdadeiramente livres, são aquelas, cujo momento áureo, culmina inevitavelmente no protelar da morte e do sofrimento, por via do Amor. O ser humano deverá procurar compreender as leis da natureza que o rodeia, num profundo respeito pelo mistério do Sagrado que elas encerras, e procurar sempre pontes de harmonia entre os vários seres de modo a preservar as suas Vidas :  a ideia mestra é aceitar que o humano carrega em si esta finalidade, vivendo no melhor dos mundos possíveis, pois Deus concedeu-lhe livremente a opção de ajudar a completar o puzzle da Criação.      

 

Não há nenhum paradoxo, nem nenhuma ambivalência nesta nossa leitura, já que a Liberdade de que dispomos, pode quebrar, ou não, o gelo do egoísmo que Adão e Eva sentiram estupefactos, no encantador Jardim do Éden - ou bem que o melhor dos mundos é perfeito no seu todo e não prevê qualquer tipo de escolha para nenhum dos seus seres, ou em alternativa, possibilita a verdadeira opção a alguns dos seus seres : entra em jogo o humano transportando consigo o fogo cintilante da Inteligência, a capacidade de discernir no conjunto de todas as mudanças, a perenidade do escape à imitação previsível e o encontro pleno com a nossa essência da perpetuação livre da Vida, traduzida na derrube da insatisfação constante que vive nos dominando.

  

 O conceito de imitação ou recriação humanas do divino, visíveis nas produções da técnica e da arte, não deixaram de querer interrogar o funcionamento cruel, na perspectiva humana, da cadeia alimentar que a natureza impõe à quase totalidade dos seus seres, enquanto sustentáculo ou garantia da sua sobrevivência, isto numa leitura de linhas darwinistas. A sede soberba de imortalidade, assumida por Miguel de Unamuno, sempre interligada ao encontro integral com Deus, muito raramente se contentou com a aceitação sincera de uma verdadeira ressurreição à boa maneira cristã :  ter a força e a Fé suficientes para crer verdadeiramente na vitória sobre a morte não tem sido fácil de interiorizar, até porque a tentação humana, é voltar a imitar a natureza, pelo menos, nos aspectos que mais, apetecivelmente, o Homem consegue compreender.

 

Na natureza, observamos que os seres nascem e morrem, e que para que a Vida se perpetue, este ciclo é, absolutamente, essencial. A morte parece, pois, ser a plataforma intermediária para daí brotar uma nova Vida, mas uma Vida mais rica e mais plena, mais próxima da Vida Eterna, no fundo, a Vida Plena de Deus.

 

Sendo assim, propomos uma estratificação complexa da Vida, quase em tons de Kierkegaard, que se inicia no nível mais elementar da morte causada por um ser a outro para a sobrevivência de apenas um deles, até ao nível mais elevado, racionalmente inatingível, da Vida Eterna de Deus ; outros infinitos níveis intermédios existem, em correspondência com as qualidades de cada ser, e ao Homem coube a tarefa de desvendar o Caminho certo a ser percorrido : aí reside, com toda a certeza, o porquê da nossa existência. Fomos programados para esta finalidade, com variadíssimos graus de liberdade, - onde incluímos o agnosticismo e o próprio ateísmo - e é por esta razão que, aos olhos divinos, vivemos no mais ingénuo dos previsíveis, dada a Confiança depositada por Deus no Homem.

 

           Deixamos, pois, os nossos votos e rogos para que, no decurso das próximas décadas, o serviço que as escolas e demais instituições de formação lutem no sentido de alertar para os múltiplos perigos que a Técnica desmesurada, associada a uma perigosa instrumentalização do humano, pode vir a acarretar para os nossos filhos ou netos ...

Sinto-me: SURREAL RECEOSO DA TÉCNICA...
Publicado por $urrealHumanity às 09:07
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