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Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

EXCERTOS DA PRODUÇÃO LITERÁRIA DOS SURREAL NO ÂMBITO DA SUA PARTICIPAÇÃO NO CONCURSO LITERÁRIO 2008

PARTE III

 

 

 

Que saudades dos meus Dias de Escola ! De todos Eles, garanto-vos. Que louca a Saudade de voltar a ser Criança !! Que louca a Vontade de poder voltar à Escola, de novo !!!


Recordo-me de tudo aquilo que a sorte me ofertou viver, nesses dias já imortalizados : é como se estivesse a reviver cada instante, numa sobreposição de eus que ainda continuo a ser, já não sendo; é como se tocasse, com as hirtas pálpebras do meu renovado olhar sobre o mundo, cada delicioso pormenor e vislumbrasse cada irrepetível oásis, no desértico álbum das minhas recordações, emoldurado em mil e uma alucinações, insistindo em matar a sede ao meu hodierno devir.

 

Nesses áureos momentos de criancice, bem mais do que de infantilidade, sentia o Amor gravitar à minha beira, como se de um fluxo imparável de Vida se tratasse. Banhado por uma paz doirada oferecida pelas mãos de uma afagada carícia, cheguei mesmo a comprovar a Sua existência, num aqui e noutro agora, sempre fenoménicos e tão irmãos. Sim, Ele ia e vinha comigo. A maior parte das vezes, alojava-se dentro da minha mochila, durante o Caminho. Compelido por uma pobreza franciscana e despojado das suas vestes, mendigava envolto num capuz, tecido de Borracha esbranquiçada, e teimava em querer apagar todos os erros que cometia, sei lá por que razões. Mas fosse como fosse, horas depois, quando voltava a casa, meus pais, espontaneamente, baptizavam-Na com as suas ininterruptas lágrimas de Alegria, granizadas em cândida brandura. Sim, a Lei do Amor tinha-me deixado, em testamento, a título não póstumo, o Seu atávico Habeas Corpus.

 

Era, assim, que ouvia o Seu nome sussurrado vezes a fio, escondido por detrás da cortina da minha ingenuidade : Perdão - era como Esses meus predilectos Santos Lhe chamavam, dominados pelo êxtase recalcado de Suas visões beatíficas. Noutras ocasiões mais fortuitas, optava por disfarçar-se de Lápis, e pedia-me para escrever, arreigado a uma caligrafia confiante, o que Ele me ditasse. Sim, Ele ia e vinha comigo. Nos dias mais cinzentos e impregnados de uma maior melancolia ortográfica, lá Se encarregava de me convidar a usar as minhas Canetas de Feltro, novinhas em folha ; e aos poucos, fui-me apercebendo do quanto Ele tinha razão : o Céu era azul, graças a mim. Incrível essa minha descoberta ! Nada mais seria como dantes : sim, eu havia-O pintado de Azul ; sim, Ele ia e vinha comigo.


Sob a batuta compassada da Sua Vontade, o Lápis veio a permitir, que fosse eu mesmo, a decalcar as linhas morfossintácticas do meu próprio Destino. E com as Canetas, foi-me sendo concedido o inimaginável prazer de transcolorir o País das Sete Maravilhas, mais a gosto dos meus homólogos Mais Pequenos : as cores ditas frias, faziam com que eu, inconscientemente, salpicasse a virginal tela da minha existência, com metediços respingos de tristeza tamborilando, em ritmo ternário, sobre o tecto falso do meu arrependimento ; por seu lado, com as cores, que eu entendi cognominar de quentes, sentia-me auxiliado a pintar uma realidade semântica viva, dinâmica e repleta de incomensurável Alegria - eram elas, a minha linhagem dinástica favorita, ainda que porventura munida de algum bastardo pretexto, pouco consentâneo com a minha linha de rumo.


Como ser tocado pela intensa Chama da Alegria, sem sentir a esponsal faísca da tristeza ?


Em estreita concomitância com esta recheada palette de futuros possíveis, as várias expedições que fui empreendendo aos dois pólos - o do Sonho e do Sorriso - deste meu Planeta Azul-Céu-Mar, alojado comodamente no epicentro da Via Láctea da minha não terminada Infância, ajudaram a manter viva a nítida memória da Sua pomposa e circunstancial Presença : continua claro que, pelo irromper da madrugada, o Amor é o Sonho que anseia poder sorrir ; continua certo que, ao anoitecer e, em especial, ao adormecer, esse Amor deixa de ser um Sonho e passa a ser um impetuoso Sorriso que, mais do que nunca, precisa sonhar. Sorrir e Sonhar : o verso e o reverso do Universo Amar ! Este é o habitat preferido de todas as Crianças : uma Terra que saiba a Mar e um Céu onde só caiba, Amar . . .


Gostaria que o mundo voltasse a ser uma Grande Escola, como o fora em tempos de antanho ; e ficaria encantado, se voltasse a ser uma, ainda maior, Escolha. Curioso e não menos bizarro : dois mundos separados por uma única letra : um simples “H” de Homem, visto no singular ; ou de Humanidade, se fizermos questão de o pluralizar. Será que a Escola continua a ser a Escolha (mais acertada) que a Humanidade ainda não conseguiu concretizar, nos moldes em que desejaria ?


Adoraria que o Amor se vestisse de Professor e conjugasse, de novo, na ardósia da Vida, o verbo “Amar”. Vivo, ansiosamente, à espera que Ele, se disfarce de Pai outra vez, como em tantas outras de que ainda bem me lembro, e soletre ou cantarole, - tanto me faz - sob o ritmo das suas austeras reprimendas, a Tabuada dos Dez Valores. Devo dizer-vos que este elementar Decálogo, foi-me repetido vezes sem conta.

 

Contudo, no que concerne à sua intenção primordial, apenas viria a descobri-la, anos depois : todos nós humanos deveríamos viver sempre, como se acabássemos de vir ao mundo neste preciso instante ; como se fôssemos infinitamente perduráveis recém-nascidos - quiçá, mais carinhoso dizer, sorridentes, e almofadados de ternura, bebés.

Sinto-me: UM POETA, SEM PÊRA, E PERAS !
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Publicado por $urrealHumanity às 15:09
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