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Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

EXCERTOS DA PRODUÇÃO LITERÁRIA DOS SURREAL NO ÂMBITO DA SUA PARTICIPAÇÃO NO CONCURSO LITERÁRIO 2008

O Mistério da Vida, a descoberta do Amor

e a procura do Santo Graal 

“ Um Filho vem a caminho : brota de uma Flor,

ao sabor da música de um Piano . . . ”

 

 

NARRADOR : - Três dias depois de ter sido premiado com o galardão da Vida, minha mãe, a única testemunha fidedigna do sucedido, decidiu oferecer-me a sua primeira flor de quatro pétalas.


Simplesmente inesquecível, acreditem. Tão simples, mas tão bela e única. Ainda recordo a sua fragrância, como se tivesse sido ontem. E muitas outras que se seguiram, sempre entregues por suas mãos, tremendo de ternura, exalam ainda o seu fresco perfume. Há uns dias para cá, comecei, não sei bem como nem porquê, a reencontrá-las em cada recanto de terra e em cada jardim, por onde passo. Sinceramente, se me perguntarem que mãos as lá cultivaram, eu sei que foram as dela. O mais curioso é poder garantir-vos que todas elas traziam como que uma espécie de brilho invulgar, permitido, talvez, ou pelo fulgor do Sol ou pela timidez do orvalho matinal, onde, habitualmente, me sentia banhado. É estranho, não sei bem como nem porquê.


Três anos volvidos, num dia chuvoso de Outono, uma dessas flores, após uma intensa rajada de vento, ganhou asas, tornou-se rainha do seu próprio destino e pôs-se a voar, como que me convidando, sedutoramente, a segui-la. Poucos instantes depois, ela decidiu, caprichosamente, parar frente à garagem, no exterior, onde meu pai estava a cortar lenha. De súbito, apercebi-me de que ele, não sei bem como nem porquê, não estava nas imediações. Chamei aos quatro ventos por ele, e obtive uma resposta inesperada : a flor voltou a esvoaçar, desta vez, para dentro da garagem. Qual foi o meu espanto, quando me apercebi de uma surpresa incrível : meu pai tinha-me lá deixado um piano de cauda, lindíssimo, e que, certamente, lhe custara a menina dos olhos ; ladeado por todas as flores que minha mãe me fora oferecendo, desde sempre.


Simplesmente indescritível, acreditem. Meu pai entendera que eu sempre sonhara com aquele piano de cauda, só que eu próprio ainda não me tinha dado conta disso. Tão ornamentado, mas tão belo e único. Ainda recordo as primeiras quatro notas que ele me oferecera, provavelmente, em troca dos meus gestos de carinho e de comoção. Entretanto, meu pai surge do nada e me abraça energicamente, soltando quatro palavras, para mim indeléveis desde essa data : - “ Filho, amar-te-ei para sempre ! ”. Envergonhado, e ainda sob o caloroso suor do seu trabalho, a pensar no frio que o Inverno em breve iria trazer-nos - a todos, menos a ele -, senti caírem-me lágrimas suas, tão límpidas e cristalinas, sob os meus cabelos e os meus olhos, e assim, passaram, também, a ser minhas. Foi tão bonito, nem queiram saber. Éramos tão pobres sabem, mas o seu suor, o seu sangue e as suas lágrimas, sempre foram tão ricos para mim, percebem ?
Por essa altura, numa cumplicidade que nunca cheguei a entender, três flores, religiosamente guardadas pelo meu pai, são atingidas pelas suas tímidas lágrimas. Vi, claramente, que eu habitava em sua alma, e também, minha mãe. Nele, éramos um só !


Ali percebi que seria eternamente jovem e criança, jamais iria envelhecer. Aquelas lágrimas, a saber a doce sal da terra e a quente água do mar, limpariam todas as minhas tristezas e mágoas, saciando toda a minha imensa sede de justiça e de fraternidade. Aprendi a coabitar em suas almas, até hoje. Nunca mais o esqueci, nunca. Ali, nunca senti frio, nem fome, afinal de contas, era uma criança repleta de flores e de teclas de piano.


Todavia, aquele quarteto de teclas que o acaso, aparentemente, me impusera, permaneceria inabalável. Era o nosso motivo melódico, o nosso código de felicidade, entendem ? Não sei bem como nem porquê.
Anos mais tarde, visitar aquela garagem, cada vez mais vítima da erosão da temporalidade, seria como que a minha própria forma de oração. Ali dentro, uma onda de bondade percorria todo o meu ser e o corpo, que já não era meu, flutuava de recordações ao sabor das vontades daqueles que tanto me tinham amado. De forma inexplicável, nesses momentos de oração, Ele me foi ensinando a sentir o toque irrepetível das mãos de minha doce mãe, em cada flor que a sua memória voltava a cultivar; e me convidou a ver espelhadas, nas quatro teclas do piano, aquelas lágrimas que meu pai tanto quisera oferecer-me, reavivando, assim, as suas mais que imortais palavras.


Todos os dias, fui feliz. Todos os dias, sou feliz. E graças à minha mãe, ao meu pai e a Ele, consegui fazer tantos outros felizes. Não sei bem como nem porquê.


Um dia, já em idade avançada, e ao ver a luz final a tentar aproximar-se, depois de ter batido à porta de tantos outros que aprendera, com os anos, a amar, vim a perceber, em definitivo, que o verdadeiro elixir da eterna juventude - o nosso almejado Santo Graal - consistia em ser capaz de quotidianamente vaporizar aquelas lágrimas de Amor, sussurradas sob os escombros de uma paupérrima garagem, para que tantas outras flores crescessem e muitos outros pianos se fizessem ouvir. Fechei os olhos, pensei sucumbir, mas vi-os de novo ; asseguro-vos. Vi todas as flores que julgara votadas ao mais puro esquecimento ; dei de caras com o meu piano, digo, o nosso piano, totalmente novo ; vi minha mãe e suas mãos, sempre belas ; vi as lágrimas de meu pai, cristalizando e formando novas teclas de tantos fantásticos pianos, totalmente transparentes, tal qual as nossas almas ; vi, novamente, todos aqueles que amei, sorridentes. Sim, vi tudo. Não sei bem como nem porquê.


Varridos todos os recantos da minha vida, e sob o desfraldar etéreo do sopro divinal, comecei a aperceber-me de que as quatro teclas do piano passaram, graciosamente, a acolher, em seus regaços, trémulas inscrições, quando Lhe implorei para que me aparecesse. Escusado será dizer que, de manhã, encontrava as insígnias : V, I, D e A ; e, ao anoitecer, observava as letras A, M, O e R. Não sei bem como nem porquê. Ao meio-dia, obtinha a palavra FLOR.


O mais engraçado foi ter conseguido, finalmente, decifrar aquelas quatro notas : um RÉ, um LÁ, um MI e um intrigante G. Ao início, estranhei aquela letra única, não sabia que poderia corresponder a uma nota musical. Sem saber como nem porquê, todos os que me rodeavam - desejando esclarecer a minha dúvida, pois já sabiam do que se tratava -, reflectiram, nos seus corpos vítreos, a resposta : GOD ! ( Que como bem sabem, em inglês, - língua da moda da minha época -, significa, DEUS ! ). E uma intensa Luz nos varreu a todos ; chorei, e quatro lágrimas minhas tamborilaram, repentinamente, no nosso piano . . .
Foi, então, que vi a Sua mensagem : MI - LÁ - G - RE ! ! !
Ele existe, sabem ! ! !


Já sei como, estou perto. Já sei porquê, estou certo !


Entretanto, cá em baixo, nessa precisa fatia de Eternidade, nasceu mais uma criança. De certeza, o Amor e a Vida muito ainda terão para nos oferecer, não acham ?

Sinto-me: UM POETA, COM PÊRA, E PERAS !
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Publicado por $urrealHumanity às 15:22
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