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Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

EXCERTOS DA PRODUÇÃO LITERÁRIA DOS SURREAL NO ÂMBITO DA SUA PARTICIPAÇÃO NO CONCURSO LITERÁRIO 2008

                                                  V

 

            Cá fora o Patas já adormecera. Sonhava que, finalmente, tinha caçado o seu delicioso Sete-Cores. Agarrara-o agilmente, e com a sua grande boca devorava-o de uma só vez.

            - Minham minham… – Falou o Patas a dormir.

            Mas neste preciso instante, a abelha Margarida, enérgica como sempre, voa até à casa do pequenino passarinho, pois apercebeu-se que as vozes que se faziam ouvir eram as dos seus amigos. Mas antes de levantar voo, colhe uma pequena florinha para lhes levar.

            - Olha quem é ela! – Disse alegremente a borboleta.

            - Guida, promete-me que não vens para me ferrar! – Replicou, brincando, o passarinho.

            - Vim em missão de paz! E trouxe-vos esta florinha que colhi ali em baixo. – Disse a abelha.

            - Que pena não me teres trazido um pouquinho de mel para me adoçares o bico… – Lamentou o Sete-Cores.

            - Nem me lembrei amiguito. Hoje tenho tido muito trabalho. Ainda não parei um instante. Há pouco fui ao Hospital mostrar os exames médicos dos meus pais.

            - E então? Está tudo bem? Está não está amiga? – Perguntou Maria aflita.

            - Mais ou menos. – Respondeu a abelha. - O médico disse que eles têm de descansar mais. A idade já vai avançada. Mas eles ainda continuam a trabalhar como se tivessem vinte anos!

            - Assim é que se reconhecem os verdadeiros Homens. Ainda continuam a trabalhar para garantirem que não falte nada aos seus filhos, aos netos e às gerações seguintes. – Disse a borboleta.

            - Eu vou tentar que eles percebam que não precisam de trabalhar. Vou fazer os possíveis para que eles percebam que só precisamos da sua companhia e do seu carinho. – Afirmou Margarida convicta.

            De repente, Sete-Cores e Margarida aperceberam-se que algo de errado se passava. Maria tinha, agora, um rosto entristecido e uns olhos afogados pelas suas próprias lágrimas. Não ousou dizer nada e, num gesto livre, saiu ao encontro do seu bem mais precioso: a Mãe-Natureza.

            Margarida tentava recordar-se da conversa que tinham tido. Não encontrava nenhuma razão para aquele estado de absoluta tristeza. Continuou a dar voltas à cabeça…

            Entretanto Sete-Cores pensara nas palavras de Margarida. Os exames médicos de seus pais, o trabalho duro e constante, a companhia e o carinho que eles tinham para dar…

            - Onde andarão os meus pais? Que será feito deles? – Murmura o passarinho.

            E Margarida, levantando de imediato a cabeça, solta um grito repentino, como se tivesse descoberto o mapa do tesouro:

            - É isso mesmo! Como é que eu não me lembrei disso antes! Já sei o porquê da tristeza da nossa amiga!

            - O que lhe aconteceu? – Perguntou Sete-Cores um pouco incrédulo.

            - Agora que falaste dos pais fizeste-me lembrar a nossa conversa.

            Tinha escapado um pormenor a Margarida. Falara, sem querer, da companhia e do amor dos pais. Esquecera-se que Maria fora obrigada a sair de casa quando era ainda pequenina. Os seus verdadeiros pais não tinham quaisquer condições para a poder criar. Hoje, já adulta, apesar de ser calma e tolerante, o seu coração ainda é atingido por aquela dor avassaladora, completamente desastrosa. Nunca soubera o que é um seio familiar. Nunca tivera jantares com a família, conversas de horas com os irmãos nem sequer quaisquer carinhos dos pais. Afligia-se sempre quando ouvia alguém dizer mal dos seus pais ou da sua família. Era normal. Maria nunca tivera nenhuma, a não ser os seus amigos, que tomara também como família. Só ela soubera a dor que era não ter consigo aquelas pessoas mais velhinhas, a que muitos chamam de chatos ou embirrentos, mas que, na verdade, são a verdadeira razão de viver dos mais novos.

            - Temos de ir à procura dela Guida! Temos de a ajudar – Disse o Sete-Cores.

            - Penso que a melhor forma de a ajudar é concedermos-lhe um tempinho só para ela. Que me dizes pequenito? – Perguntou afavelmente a abelha.

            - Olha amiga, eu gosto muito de ti, mas não concordo contigo. Se quiseres ficar, está à vontade. Podes servir-te da casa como se fosse tua. Mas eu vou à procura dela. Agora chegou a minha vez de ajudar alguém. – E com estas palavras, o passarinho deu um beijinho de despedida à sua amiga abelha e partiu à procura de uma outra, que, talvez, estivesse a precisar mais da sua companhia.

            Entretanto depara-se com o Patas. Mas Sete-Cores sentiu um alívio enorme quando viu que ele ainda dormia profundamente. Voou levemente até à outra árvore. Saltitou de árvore em árvore um par de vezes à procura de Maria, até que, sem mais demora a encontra pousada num braço de alguém. De longe, Sete-Cores conseguiu distingui-lo. Era ele! Era o seu amigo que nunca mais tinha visto. O menino que o ajudara naquele dia frio em que fazia neve. Nem conseguia acreditar! Ele continuava bonito. Tinha um lindo semblante. Era loiro, com cabelo encaracolado, de olhos verdes, luminosos e transparentes. Porém, Sete-Cores notou algo de estranho. O sorriso que viu no rosto do menino, naquele dia de neve, não era o mesmo. E o passarinho sentiu que alguma coisa de grave acontecera. Voou bem depressa com receio de os perder de vista. Ao aproximar-se dos seus amigos, ouviu qualquer coisa que o magoou profundamente:

            - Eu também perdi a minha mãe. – Disse o menino. – Agora vivo numa casa grande, praticamente sozinho. Só tenho os empregados que cuidam de mim. São eles que me valem.

            Sete-Cores não percebera o motivo daquela conversa. Então decidiu sentar-se num raminho de uma cerejeira à espera de mais revelações.

            A sua amiga Maria continuava, ainda, pousada no ombro daquele menino que também era seu amigo, mas que ainda não sabia o nome.

            - Tenho de descobrir como ele se chama. ­– Sussurrou o pequenito. – Mas primeiro tenho de perceber o que é que aquela conversa quer dizer.

            Sete-Cores lembrou-se de uma coisa que sua amiga Maria lhe dissera uma vez. E essa frase permanecia, agora, mais intensa no seu pensamento: ­ – “É muito feio escutar as conversas dos outros. É como se nos estivéssemos a trair a nós próprios”. Mas Sete-Cores não se importou. Sabia que estava a cometer um erro, um grande erro, principalmente porque Maria era a sua melhor amiga. Mas sabia, também, que aquela conversa poderia ser útil. Inclinou-se para a frente para ouvir melhor, e, de repente, desequilibra-se e cai perto do Patas.

            - Bolas! É bem feita pequeno! É bem feita! Não estivesses feito intrometido na conversa dos outros. – Resmungava Sete-Cores para si próprio. Não sabia mesmo como sair dali sem que Patas o descobrisse. Talvez fosse aquele o seu fim. Talvez a curiosidade que o invadira, acabasse, de vez, com a sua liberdade. Lembrou-se, então, mais uma vez dos conselhos de sua amiga, e prometeu a si próprio que nunca mais voltava a trair os seus amigos.

 

 ( E ... um dia destes voltaremos a encontrar-nos ... )

 

 

Sinto-me: UMA POETISA DE RENOME ...
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Publicado por $urrealHumanity às 15:37
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