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Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007

GAUDETE, A ALEGRIA APOTEÓTICA DO ADVENTO : NOVO ENSAIO DOS SURREAL

“  Rir, Só Rir e Sorrir ... ”

 

 

                A maior parte de nós ri-se frequentemente dos outros, mas poucas vezes ousa rir-se de si próprio. Haverá algum motivo que possa justificar este facto incontestável ? O que se passa, afinal ?

 

                Não deveríamos nós sorrir para os outros e ter a coragem ri de nós mesmos ?

                Porque é que rimos ? Quando é que sorrimos ? O que é sorrir ?

 

                Sorrir é amar a Vida ! Sorrir é, também, viver o Amor !! Sorrir é respirar o ar puro da Felicidade !

                Sorrir é acordar de madrugada para pular nos braços do Amor.

                Se amar equivale a escolher para a Eternidade, então provavelmente, sorrir será constatar que essa nossa escolha foi tão acertada e feliz, que acabou por merecer as insígnias do Eterno.

                Se amar requer que semeemos a caridade nos áridos campos da Matéria, - talvez não seja mais do que um proto-espírito, em perene evolução, à procura de si mesmo nos meandros da temporalidade - é quase certo que venhamos a colher como fruto o sorriso de Deus, naquele intransponível instante em que teremos de cruzar as portas fulgentes e cândidas dos Céus.

                Sorrir é sentir-se tocado pelos braços invisíveis do Criador e, é também rogar-Lhe, para que tantos outros se deixem tocar por nós. Se calhar sorrir é como rir sublimemente . . .

 

                Mas o que será rir ? O que distingue um riso de um sorriso ?

 

                Sinceramente, acho difícil esta subtil destrinça, contudo inclino-me a pensar na simples ideia de que rir é confessar uma enorme vontade de querer sorrir. Arriscaria acrescentar que rir é, certamente, uma camuflada e inconsciente terapia pessoal, na medida em que por seu intermédio me reencontro comigo próprio, com os meus semelhantes e com o mundo envolvente. Se calhar é por esta razão que propendemos mais a rirmo-nos dos outros, enquanto que sintamos mais dificuldades em rirmos de nós mesmos : no fundo, creio que temos uma enorme esperança de ser surpreendidos pela originalidade e unicidade daqueles que nos rodeiam, sem que nos disponhamos, em consciência, em ter a capacidade de o generalizarmos a nós, sob a capa do medo da queda no mais perfeito ridículo ou frustração - afinal de contas, se nos abrimos ao apelo do Amor, temos receio de O não encontrar facilmente. Por isso, em vez de sorrirmos a maior parte do tempo que nos cabe viver, lamentamo-nos das mil e uma desventuras com a vida nos presenteou, mendigamos o Amor em seara alheia sem utilizarmos a foice da esperança, e preenchemos estas angustiantes lacunas existenciais com o trunfo do riso - sim, só  (do) riso -, encontrado no baralho dos sinais que Ele nos vai fazendo chegar, no interminável e quotidiano apoio pedagógico que nos vai ministrando nas aulas da Escola da Vida.

 

                Tenho a absoluta certeza que quando aprendermos a rir de nós próprios, e rir uns dos outros e uns com os outros,  em ambiente de verdadeira partilha, estaremos a um passo muito curto de saber sorrir em plenitude. Rir e sorrir, -  não só rir - confundir-se-iam aos poucos, e o Amor recebido passaria a ser Amor doado e trocado, para que a dor do egoísmo se fosse desvanecendo dos nossos corações de carne.

 

                Rir acaba por ser uma espécie requintada de subterfúgio para colorirmos a cruel realidade com que nos vemos confrontados amiudadas vezes, na esperança de alcançar a magnificência e glória com que a Eternidade nos sorrirá um dia . . . Ou não ? Sabem, à partida, não acredito que nos riamos verdadeiramente do mal, - algum tipo de pseudo-bem relativo, ou se preferirem, um bem maculado pelos poluentes do fel cru do nosso egoísmo faccioso - talvez, bem no âmago dos nossos recônditos seres, prefiramos resignarmo-nos sob a bandeira da incredulidade, no lugar de um enfrentar tête-á-tête as limitações e respectivas razões. Cá entre nós, é mais cómodo, apesar de não ser o mais correcto. Ou será que não ?

 

                Não me restam dúvidas quanto ao facto de o saber sorrir marcar, em nós humanos, toda a diferença. Pensem em tanta gente deste mundo que sofre constantemente, sem sequer lhes concedemos o direito a um momento, quanto mais a um período de férias que viesse adormecer as suas infernais hostilidades.

 

Enquanto nós, premiados pelos solipsistas prazeres da nossa ocidental cultura hedonista, emudecemos infantilmente perante a efémera possibilidade de só poder tirar três dais de férias na praia dos primos. O mais caricato é que os que mais sofrem não se emudecem como nós, simplesmente porque não têm outra alternativa que não seja senão a de gritar aos quatro cantos do mundo por mais um sopro de esperança divina ; e lá conseguem esboçar mais um dos seus comovedores sorrisos. Jamais os conseguiremos imitar, e é assim,  que teremos de continuar a frequentar a Escola da Vida por mais longos anos, afinal, temos ainda tanto para aprender . . .

 

Até os loucos,  para matarem todo o seu sufocante desespero, depois de terem compreendido que o fingir o riso se paga com lágrimas que a gravidade não deixa, no início, rumar aos céus ; todavia, o reconfortante para todos eles, ou seja todos nós, é perceber, passado alguns dias, que elas se irão evaporar para Lhe suplicar por uma fotografia com o Seu sorriso, e o mais engraçado é que o correio da temporalidade no-la vai entregar num instante preciso, aquele que nós esperamos ser inesperado. Aos poucos eles vão aprendendo a sorrir, porque tiveram de rir-se de tudo, até de rir-se de se rirem e rir-se de não de rirem ; o paradoxo do riso acaba por libertá-los das algemas do vazio para o caudal imparável da Vida até aos confins do Eterno. Passam, naturalmente, a ser felizes e lançam-nos, deste modo, o enorme desafio de os aprendermos a respeitar como seres humanos íntegros que são, exactamente desenhados com as mesmas cores com que fomos pintados à nascença na tela do Mestre dos Mestres. São os loucos que nos vão ensinando, aos poucos, que rir e sorrir vivem lado a lado, como dois vizinhos nossos, que raras vezes encontramos na rua, mas que conhecemos desde sempre. São, por consequência, eles quem nos espelha, naquele doce lar onde a Verdade se aloja parcialmente em nós, a que chamamos de consciência, que a falta de um sorriso pode causar a morte espiritual : eles vieram a sucumbir porque algum de nós, ou melhor, porque muitos de nós ou todos nós, os ignorámos em tantos momentos importantes da sua vida vestindo a capa da indiferença e da insignificância.

 

Aí percebemos, claramente, que quem mata, negando um simples sorriso, deliberadamente, no fundo, já está morto. Alguns refugiam-se nesta morte espiritual intencionada e infligida amargamente a terceiros, outros consideram valer a pena radicalizar enveredando mesmo pela morte física ; penso que o seu pensamento o encaminha por um tipo de raciocínio típico de Mefistófoles : se maltratares o corpo, a alma sofrerá por acréscimo, enquanto se atacares a alma, o corpo permanecerá intacto - como se a reanimação do corpo pudesse alguma vez por termo à morte biológica.

 

Na realidade, qual é a fronteira que nos separa deles ? Estaremos nós, assim, tão distantes dos seus mundos, que podemos estar absolutamente tranquilos quanto a tudo aquilo que o futuro tem reservado para nós ?

Consideramos que a nossa consciência é mais apurada, face aos padrões da normalidade, mas será mesmo assim ?

 

Teremos nós uma capacidade infinitamente maior de mergulhar na complexidade da vida ? Seremos nós os detentores da Verdade ? Teremos nós o direito, moralmente falando, de coarctar a sua liberdade e de lhes impor os nossos cânones judiciais, onde eles ainda mal figuram ?

 

Todos os ditos normais têm a pretensão de rogar-se este direito, até porque são capazes de conceber teorias muito complexas e intricadas, meticulosamente arquitectadas sob a abóbada celeste das Ideias doutorais. É incrível como nós, seres humanos considerados normais, nos deixamos manietar, feitos autênticos bonifrates, por essas benditas Ideias, e nos tornamos seus reféns : em boa verdade, esperamos que Elas nos ajudem a encontrar o sorriso, mas pouco mais conseguem do que fazer-nos rir, e muitos o sabem, em muitas ocasiões, à custa de muitas lágrimas e dissabores.

 

É neste quadro que muitos de nós tendem a considerar legítimo matar por amor, por exemplo, ou aceitar sem margem para qualquer tipo de contestação a legalidade da legítima defesa, em situação limite, para já não falar da tão badalada interrupção voluntária da gravidez justificada por défice de condições materiais de subsistência. A maior parte das vezes, são estas mesmas pessoas que colocam a vida em primeiro plano, e não o Amor. Devo sublinhar que se trata de um erro crasso, em meu entender.

Incrível é ver na Fé uma forma subtil de sorrir. Quem sorri não deseja que termine, mas que se perpetue e propague aos sete mares, e creio que aqui reside o núcleo da tão deseja Verdade - só pode ser o mais sublime e inteligente sorriso ofertado sob o véu, para muitos oculto, do brotar da Criação.

 

Não se deixem enganar por falácias nem por  tentações fúteis e ilusórias, a nossa essência é o Amor ; ser Homem é ser Amor-a-Caminho e, deste modo, convergir com os propósitos da Mãe-Natureza, Ela própria Caminho-para-o-Amor-a-Caminho.

 

Muitos são os ilustres pensadores que vêem o Homem como um tipo de ser irrepreensível, no sentido de que jamais se conseguirá superar algum dia. Para esses irmãos nossos, nascemos, na esteira da teoria de Darwin, para assegurar, a qualquer preço, a nossa sobrevivência tout court ; e em caso da manifesta necessidade de desempate, o critério é o de vencer o mais forte, como se não houvesse alternativas. De algum modo, o medo da morte biológica inevitável é tão evidente, que é preferível antecipá-lo para alguns, garantindo, desta forma, mais alguns segundos da nossa vida - temos tanto receio de que ela nos apareça a qualquer hora e vestida de inesperada, que acabamos por acelerar vertiginosamente a sua chegada, pelo menos a alguns, senão mesmo a todos. Tudo se passa como se provocar a morte de alguns predestinados, nos viesse dar mais vida a nós, os eleitos mais fortes. E continuamos a culpabilizar o Criador como o ideólogo e estratega da morte e dos males do mundo : Ele tê-la-ia inventando para exercer todo o Seu poder sobre nós e nos intimidar. É triste não enxergar mais longe que isto . . .

 

Será que ainda não entendemos que a finitude da economia imposta pelas limitações da matéria nos vêm demonstrando, época trás época, que as Ideias perfeitas alcançadas - a suposta ilusão da posse final da Verdade integral -, esgotam toda a sua credibilidade e toda a sua área de aplicação ? A fome e a sede provam, dia-a-dia, que estamos muito longe dessas Ideias perfeitas, ou não ?

 

Fundamentalmente, a nossa concepção enraizada do poder é bastante desfasada da correcta, em minha opinião. Para mim, poder é estar perto de Deus, ou talvez, é desejar sentir que o Amor se aproxime de mim para que, depois, também eu, me possa aproximar Dele. O verdadeiro poder é, social e historicamente falando, perceber como unir as pessoas - hoje, designados de eleitores - em torno de um centro de gravidade único, aceite por todos por comum acordo, num regime de consertação de interesses e de cedências mútuas. No entanto, sempre que o poder endeusa Ideias perigosas e sem sentido, o Amor é relegado para segundo plano e o que todos acabam por constatar é o termo irreversível desse pseudo-poder ou falso deus - pois é, o Amor veio falar mais alto. Quanto mais quiserem separar os homens entre si, ou quanto mais os quiserem aproximar à força - sabe-se lá sob que bandeiras e vontades -, mais o Amor lhes tentará explicar que a união dos homens - o caminho certo e único para a almejada Humanidade -, constitui a coluna vertebral da evolução cósmica. Quanto mais quiserem negar ou ignorar a força que o Amor em si encerra, pessoalmente considero-O o poder por excelência, mais Ele fará sentido, na estrita medida em que funciona como uma espécie rara de íman que tudo tende a unir, mas que intensifica as suas linhas de força quando os pólos que pretendem unir mais estiverem afastados entre si.

 

Por isso, a morte, a separação mais radicalizada para a experiência humana, só pode ser ridicularizada pelo Amor : no limite terminal da morte, todos confirmaremos um dia que o Amor aí irrompe com toda a Sua máxima vitalidade, tudo renasce.

 

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Publicado por $urrealHumanity às 14:12
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